“Quem tem medo da mídia social, da mídia social, da mídia social?”, é, caros leitores, eu já tenho uma musiquinha chata para fazer meus companheiros de trabalho perderem a paciência. Só rindo para não chorar – principalmente se for eu a rir.
O que motivou esse post foi a CHUVA DE TWIX que terminou por se tornar o CHUPA TWIX, mais um grande fail nas mídias sociais nacionais. Não é de hoje que eu digo que tenho receio quanto as experiências negativas com mídias sociais e com o resultado delas caso aconteçam. Em um post antigo usei este mesmo argumento para afirmar o porque de achar que Tessália fazia merda quando se dizia profissional de mídias sociais.
Geralmente, ao sermos abordados sobre campanhas em novas mídias, o maior problema do cliente é quanto a repercussão negativa. Como evitar que falem mal? Fazendo bem feito. E como tirar do ar caso falem? Não tem como. Então não tenho o controle? Só até a implantação da mensagem, depois já era. Durante décadas tendo o controle absoluto sobre suas marcas e campanhas não seria, ou será, tão simples para as corporações abrir mão do controle. Isso explica a resistência de muitas delas a trabalhar com mídias sociais. O grande problema é que ações como o Chuva de Twix criam uma barreira para os defensores desse meio e uma desculpa – por sinal muito válida – para os resistentes a ela.
Certo, certo, Eden, mas o que diacho aconteceu nessa CHUVA DE TWIX?!?!!?! Calma, jovem gafanhoto, não precisa gritar, né? Basicamente, de forma muito resumida, os cara fizeram um tremendo oba-oba, utilizando as mídias sociais, convidando a galera para uma chuva de Twix. OBA, chuva de chocolate!!! Rá… acontece que limitaram o acesso a 2 mil pessoas – quando a campanha atingiu muitas mais – e quando esses “sortudos” chegaram lá… pfff. Nada de helicópteros ou pára-quedistas soltando milhares de Twix do céu. Não choveu, no máximo caiu uma garoa de leve. A chuva se resumiu, segundo declaração oficial, a cerca de 16 mil Twix jogados pra cima, junto com milhares de papeis picados. Acontece que, frustrações quanto a produção a parte, muita gente pegou apenas papel nesse imenso bamborim – sim, a turma da equipe jogava para cima, como em uma festinha infantil. Como vocês acham que a turma reagiu? Experimenta dar um search por #chuvadetwix no Twitter.
Lógico que a turma caiu de pau. Todo fail vira logo motivo de sarro e lógico que o espirituoso Rafa Gnomo não podia deixar de dar sua visão do caso lá no Zoei Muito. A ideia foi boa, muito boa. Ela leva em tese algumas das condições para uma boa campanha em mídias sociais identificadas pela DARPA.
1. Prêmio real e palpável. Chocolates caindo do céu.
2. Há competição. Quem pegará mais Twix?
3. Há transparência. Ao menos havia até o fail.
4. O custo para participar era zero.
5. Objetivos claros e resultados verificáveis. Pegar os chocolates e contar quantos pegou. Rs.
A ideia foi boa mas falhou no planejamento – que não enxergou o problema – e na execução – afinal bamborim é de lascar, né? O que não dá pra engolir será ver a agência defendendo que a ação foi um sucesso afinal levou milhares de pessoas até o local da ação. Tá, e o resto? E a repercussão negativa?
Cases negativos assim reforçam ainda mais o medo de se tentar alguma coisa nesse universo. Vejam bem, as mídias sociais tem 4 regrinhas simples quanto a entrada de uma marca/empresa nesse mundo:
1.ESCUTE
MERGULHE NAS CONVERSAÇÕES2.PARTICIPE
SEJA SOCIAL, DIALOGUE3.ABRA MÃO DO CONTROLE
VOCÊ NÃO CONTROLA, VOCÊ INSPIRA E ENVOLVE.4.COMPROMETA-SE
SE VAI FAZER, FAÇA DE CORAÇÃO
Eu sei, eu sei. Eu vivo defendendo que tudo em mídias sociais é muito novo e não dá pra cagar regras. É verdade… também. O que acontece é que não são exatamente leis da robótica, essas “regras” são mais flexíveis, mas são baseadas unicamente em bom senso, visando não gerar falsas expectativas em nenhuma das partes envolvidas.
Abrir mão do controle não é fácil. Toda grande empresa tem uma penca de advogados que, se pudessem, proibiriam terminantemente qualquer tipo de ação é mídias sociais justamente por não poder controlar o meio e ainda assim ser responsabilizados pelos resultados. Todo dia lidamos com isso por aqui, não é fácil. Mas como já foi defendido antes, é melhor mudar completamente sua estratégia, partir do zero novamente, que fazer arrumadinhos e terminar por ter algo meia boca. Não pode jogar o chocolate do alto porque vai machucar alguém? Não chame de chuva, chame de super bamborim, carnaval de Twix ou o que seja. Tem que limitar a quantidade de gente para que não haja confusão? Deixe isso claro e prepare mimos para quem ficou de fora. Não dá? Comece tudo novamente. PENSE. PENSE. PENSE.
No mais, leve em conta que não é um problema do meio e sim da ação. O meio se relacionou, engajou-se e participou e, como não teve o que lhe foi prometido, reagiu como qualquer um reagiria: botou a boca no trombone.
Agora, amigos, entendam uma coisa: um BOM profissional de mídias sociais tem de ser caro justamente por entender tudo isso que disse acima – e muito mais que eu ainda não entendi – e colocar em prática. Não trata-se de saber usar Twitter, Orkut, Facebook ou ler Blogs. Trata-se de saber planejar, criar planos de contingência e executar com perfeição, como em qualquer outra vertente da propaganda. O profissional é caro não apenas pelo volume de trabalho e conhecimento… mas por sua responsabilidade.









