Uma doença humana matando ET, onde eu já vi isso?
“Ah, o filme é muito ruim!!! Os caras vão lá, fugindo daquelas batedeiras gigantes cheias de braços, escapando de raios que desintegram tudo, entrando pelo cano e, quando achamos que acabou, os ETs morrem por causa de um vírus?! Que mentira besta da porra. Gostei não!”
Quantas pessoas não descreveram Guerra do Mundos, estrelado por Tom Cruise, da forma acima? Quanta gente não achou natural monstros metálicos de três pernas caminhando e destruindo mais ficou “de cara” com o fato de uma simples “doença” humana eliminar uma raça superior? Pois, caros leitores, a vida imita a arte.
Uma doença mundana matou o ET. Não aquele bonitinho do Spielberg, o que queria ir pra casa. Matou o feio pra cacete, que andava com o Rodolfo. Aquele que não queria ir pra casa e se contentava em pegar loiras que “amavam” ele – e o fato de aparecer na TV – e fumar Marlboro. Nada mais mundano que isso, não?
Cláudio Chirinian – estou certo de que você não sabia o nome dele afinal, para quê, não é mesmo? – morreu de complicações causadas pelo tabagismo. Ele fumava… e muito. Talvez para se sentir mais normal, mais aceito, menos estranho. Se não fumasse tanto talvez continuasse vivo e no ostracismo por mais alguns anos. Quem sabe?
O interessante por trás dessa introdução boba e cretina é que ainda hoje tem gente que fuma para “se enturmar”. Para se sentir parte de algo. É justamente aquela raça que começou com o “eu só fumo quando bebo” e hoje mata uma carteira por dia. É aquela turma que dizia “que mal faz fumar 3 cigarros por fim de semana” e que hoje fuma dentro do carro porque não consegue esperar chegar a seu destino para acender aquela bosta.
Eu entendo que as pessoas fumassem nos anos 40/50/60. Desconheciam os prejuízos do cigarro a saúde e eram constantemente bombardeados pela mais eficaz campanha de marketing jamais executada na história da humanidade – e isso por si só já merece um post, trata-se do maior caso de “lavagem cerebral” executada. Era simplesmente impossível ficar alheio ao poder de sedução do cigarro afinal toda pessoa importante fumava. No cinema todos fumavam. Na TV todos fumavam. Nos desenhos animados os personagens fumavam. Havia glamour no triste ato de se intoxicar. Havia.
Se antes as pessoas fumavam seduzidas por um glamour fruto de uma maciça campanha de marketing e por pura ingenuidade o que explica os fumantes de hoje?
Fumar se tornou brega. A pele modorrenta, os dentes amarelos, os cabelos quebradiços e fedidos e a roupa insuportavelmente mal cheirosa não são mais símbolos de estilo. O cigarro foi praticamente banido da TV – nas novelas da Globo ninguém mais fuma, é impressionantes, deixou MESMO de retratar a realidade -- no cinema vemos roteiros modificados para que os personagens não fumem – a não ser que seja o vilão, aí até pode, né Hollywood? Fumantes sob os holofotes escondem seu vício. Gisele Bündchen, Aline Morais, Luís Inácio “Lula” da Silva, Leonardo DiCaprio, Kate Hudson, Mel Gibson, Ben Affleck, Débora Falabella, Juliana Paes… quantas vezes já os viram flagrados com um cigarro? Poucas.
Não há mais a desculpa do glamour ou da ingenuidade, afinal todos sabem que o cigarro mata – esse causador de diversos tipos de câncer é responsável por uma parcela IMENSA do orçamento do ministério da saúde que tem de tratar suas “vítimas”. O cowboy de Marlboro morreu vítima do cigarro que tanto ajudou a divulgar. Se antes o fumante era invejado e considerado charmoso hoje ele sofre preconceito e é visto como alguém fraco, refém de um vício estúpido cujos malefícios lhes são diariamente esfregados na cara.
A ignorância gera monstruosidades como as crianças de 2 anos de idade fumando na China. Mas… e vocês? Se estão aqui podem ser qualquer coisa menos ignorantes. Isso é uma coisa da qual posso me orgulhar, o alto nível de meus leitores. O que os levam a FUMAR?
Eu, sei, sou partidário do antitabagismo e por isso os fumantes me acham “chato”. Eu também os acho chatos. Odeio a mania de vocês de achar que ir fumar na janela incomoda menos – quando o vento trás toda fumaça pra dentro de casa. Odeio o costume nojento de fazer copos de cinzeiro ou de fumar no banheiro deixando as toalhas que lá estiverem completamente inutilizadas. E fumar no carro achando que soprar a fumaça pela janela – e contra o vento – ajuda em alguma coisa (isso quando não fuma de janela fechada mesmo!)?
Eu sou chato sim e ainda mais quando se trata das pessoas de quem gosto. Imaginá-los tendo o mesmo fim que um tio avó que perto de morrer se movia em bullet time, afinal qualquer coisa mais rápida o deixava ser ar, e respirava mais feio que Darth Vader não é algo que me agrade. Saber que qualquer um deles pode, por pura burrice, desenvolver câncer no pulmão, língua, boca, esôfago e tantos outros não é algo que me anime. Eu luto por eles, mesmo que contra eles. Não é tão paradoxal assim.
Me mata saber que ainda hoje usem argumentos como “o cigarro é meu companheiro”, “o cigarro me acalma”, “não dá pra tomar café sem fumar” e que fiquem raivosos quando os chamamos de viciados. E o argumento “Porque não perseguem o álcool?”, usado como se um erro justificasse o outro. Ah, mas o pior é dizer que não aceita campanha antitabagista pois ela interfere em seu direito de viver como lhe convém. Ou seja, ele fuma por idealismo. Esse prefiro que fume mesmo. E morra logo.
Vejo minha mãe, que fuma desde que me entendo por gente – e muito – com uma tosse de cachorro, apresentando um novo sintoma a cada dia e, quando questionada sobre o que vem causando isso solta sem medo de ser feliz: acho que isso é coisa do remédio que eu andei tomando para parar de fumar. Comecei com essas coisas e parei logo com aquele troço.
O remédio que minha mãe, e muitos de vocês, precisa é: vergonha na cara e força de vontade. Vergonha na cara para reconhecer que é um vício estúpido e que é refém dele e força de vontade para mudar sua vida.
Essa merda matou um ET, vai matar você também.

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[...] This post was mentioned on Twitter by eden wiedemann and Rosana Ribeiro Silva, Vagner Labaki. Vagner Labaki said: RT @e_d_e_n: Se o cigarro mata até ET… http://migre.me/jhTJ – um texto meu sobre o cigarro e o marketing de anos que ainda vive. [...]
cara, cada vez mais acho genial seu blog, sempre acompanho, parabens pelos textos!
Nada a dizer, somente aplausos! de pé! tiro meu chapéu pra tu Eden! Esse post (assim como tantos outros teus) vou indicar, recomendar e repassar! PERFEITO!