Negar que a Mídia Social é a menina dos olhos de muitos marqueteiros é tapar o sol com a peneira. Assim como negar que dentro de um ano eles já vão estar idolatrando outro boi dourado. A mídia social tornou-se produto do próprio meio, tornou-se hype.
É quase um produto MESMO. Todo o padrão está aí. Tivemos os Innovators e agora estamos na fase dos Early Adopters. Bem, ao menos é o que julga a maioria. Eu ainda acho que estamos no Early Majority. Não é uma questão de timing e sim de visão.
Não é simples, como canso de dizer, convencer uma empresa que não tem uma postura mais ousada a investir em mídia social. Por mais que ela reconheça o hype, que queira pagar de cool, ainda assim fica complicado apostar fichas nessa “coisa estranha”. Muitas vezes se permitem apostar com pouca grana, ficando ali no big blind. Mas todo mundo sabe que quem fica no big blind não leva o pote. Quanto menor a aposta menor a chance de vitória e maior a chance ficar com o gosto ruim de um resultado negativo – ou longe do desejado. Não há mágica. Quer resultado? Invista.
Em um Brasil onde o termo branding é motivo de piada como explicar a um cliente que esse ainda é o maior benefício do investimento em mídia social?
Como explicar que não se trata exatamente de propaganda mas de uma mistura de marketing, relações públicas e psicologia? (sim, psicologia, faz muito tempo que a psicologia não é tão importante para a comunicação como se faz nas mídias sociais)
Bem, você pode tentar. Vou lhe dar alguns argumentos.
Branding ainda é o negócio mas não só ele.
O gráfico acima mostra algo que todos já sabem, não é mesmo? Não. Muita gente ainda acha que a mídia social faça milagres. Não dá pra VENDER qualquer produto por mídias sociais. Ou ao menos não como poderia ser feito numa campanha de varejo. A mídia social não veio para substituir e sim para complementar. Você pode ter sua campanha de varejo e utilizar o Twitter, por exemplo, para tirar dúvidas de seus clientes e trocar ideias. Perceba que a troca de informação vem colado, perdendo apenas por um focinho. É aí que está o pulo do gato. O cliente mais bem informado sente-se seguro, mais bem atendido e mais a vontade para divulgar sua marca/produto para terceiros. E, observem, não estamos falando da troca de informação de sua empresa com os internautas mas sim entre internautas sobre sua empresa!
Mas como as empresas usam a Mídia Social?
Observe o gráfico acima sobre o uso corporativo das mídias sociais. Agora some Understanding customers, Public relations e Lead generation. Teríamos então 55,5% de uso voltado ao “relacionamento” com o internauta. Sim, eu sei que se quisesse poderia encaixar Information sharing e Branding aí mas sejamos mais pragmáticos. Esses 55,5% representam o quanto as empresa estão investindo em obter e utilizar as informações na web para influenciar os internautas. Durante anos esse foi o maior sonhos das empresas: entender os consumidores, falar a língua deles, estreitar relacionamentos. Empresas gastaram milhões em pesquisas qualitativas e quantitativas e outras foram crucificadas por não o fazer. Agora isso custa MUITO menos e pode ser feita de forma muito mais informal. Não estou diminuindo a importâncias das pesquisas tradicionais, calma, mas convenhamos que reunir pessoas numa sala com uma janela espelhada pode não ser exatamente o ideal para saber o que ela está pensando. É mais ou menos como bater uma foto usando uma teleobjetiva. Sem invadir o espaço do alvo você o fotografará bem mais a vontade, em momentos bem mais verdadeiros.
E o que exatamente dá resultado?
O gráfico acima mostra as redes que tem demonstrado melhor resultado em campanhas de mídia social. Nos EUA, claro. Se eu concordo com isso? Eu diria que a ferramenta, ou rede, que dá mais resultado é aquela onde seu target está. Poxa, se um dos grandes benefícios da mídia social é justamente podermos segmentar nossas ações porque achar que determinada rede é melhor ou pior? A rede ideal é aquela que pode atingir o resultado que você planejou quando criou sua estratégia. Você planejou, não foi? Não? Volte todas as casas! Entenda primeiro que sem planejamento não há ação! E nesse planejamento é que será definido se você irá atuar no Orkut, Twitter, Facebook ou até mesmo no natimorto Formspring. Você deve ir onde seu target está. Simples.
E os blogs, onde entram nisso?
O gráfico acima demonstra as redes que estão despertando o maior interesse do mercado corporativo. Blogs em primeiro lugar. É agora que muita gente reclama… “Ah, blogs?”. Sim, blogs. Não tiro o mérito dos grandes blogs de humor que recebem milhares de visitas, esses tem o seu valor. A questão é: com o passar do tempo eles tendem a se tornar cada vez menos funcionais para o tipo de comunicação que buscamos utilizando as mídias sociais. Não buscamos, em tese, clicks ou visibilidade. Ao menos não deveríamos. Temos que buscar influenciar a opinião dos leitores e estimulá-los a debater sobre nosso produto/marca, nos provendo informações valiosas e fazendo propaganda boca-a-boca. E quem melhor que isso que um blogueiro cuja as visitas se dão porque seus leitores querem sua opinião sobre os assuntos que ele debate e não apenas rir com alguma imagem ou vídeo que ele colocou. Ele pode não atingir milhares mas tem a taxa de conversão alta, ele tem credibilidade junto aos seus. Os blogs são aliados valiosos sabendo como usá-los.
Entender a mídia é fundamental para poder acreditar nela. E quando falo em acreditar não falo apenas sobre o cliente. Os “veículos” também precisam acreditar mais no poder que tem em mãos. Mas isso é assunto para outro post.