A verdade por trás do Porto Cai na Rede – O retrato de como alguns políticos se acham acima da lei

Há algum tempo atrás me deparei com uma tweet do Merigo, do Brainstorm9. Era esse aqui:

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Ele falava o buzz sobre o não pagamento da Dáblio, empresa a qual estou à frente, pelo Porto Cai na Rede, uma ação de Social Media que foi considerada por muitos um sucesso.

Minha primeira reação foi ficar chateado com o Merigo. Quer dizer que devíamos ficar calados quanto ao não recebimento? E porque ele dizia que nós é que expomos ou geramos buzz? E quanto a ética de quem não pagou e ainda tenta se apoderar da marca, nome e formato da ação na qual trabalhamos por 9 meses?

Ouvindo muita gente que dizia “Eden, fica na tua, melhor levar um calote que enterrar uma carreira” eu, por medo de realmente enterrar minha carreira, fiquei quieto, colocando panos quentes. Eu nunca de fato levei a público o que aconteceu e isso pode ter levado a muita gente a pensar como o Merigo. Muita gente pode ter pensado que se tratava de um atraso – comum em prefeituras – e de uma empresa que não quis esperar. Muita gente pode ter achado que se tratava de besteira.

O início

Nós sabíamos do “calote” há mais tempo. Na verdade há bastante tempo. Ainda tentávamos chegar em um acordo. Nada. Eu alertei a secretaria que ia manter minha postura, que seria transparente. Eu teria que avisar as pessoas que trabalharam que como não íamos receber da secretaria íamos precisar de tempo parar honrar as dívidas. Avisei que por se tratar de muita gente envolvida, e a maioria delas relacionadas com Social Media, uma hora isso iria vazar e ia causar um buzz – que nós não desejavámos – que terminaria por eclipsar o resultado da ação pela qual trabalhamos tão duro. “Que vaze, quem venham, não estou nem aí”.

Eu estava. Sabia que tudo que era preciso era uma fagulha e que na web tudo que é ruim repercute 4x mais que algo de bom. Nosso trabalho estaria seriamente prejudicado. Eu avisei a todos que não poderíamos pagar agora, expliquei o motivo e pedi paciência dizendo que iríamos honrar nossos compromissos, precisávamos apenas de tempo. Precisamos ainda. Vazou, claro. Alguém insatisfeito com isso comentou com alguém e pronto. Saiu uma tuitada que, abocanhada por quem só queria uma desculpa, rapidamente se espalhou no twitter. Em seguida foi noticiado por Jamildo, um dos maiores blogueiros de notícias de Pernambuco, em seu blog nesse post.

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Centenas de pessoas começaram a me cobrar uma confirmação. Todos queriam saber se era verdade. Eu ainda tentei contornar, por panos quentes, não queria essa repercussão.

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Pela ação e pelo meu nome no mercado eu sabia que tinha que tentar segurar a onda, tinha que tentar abafar. Não imaginam o quanto é difícil fazer algo assim sabendo que não irá mais receber e sabendo que tinha levado uma rasteira (que explico adiante).

A Constatação

A publicação de Jamildo fez a Secretaria perceber o rumo que tudo isso poderia tomar. A primeira reação foi divulgar a todos que os questionavam que haviam honrado todos os compromissos da ação, que nada mais deviam. Que nossa cobrança não era só indevida como inexistente, segundo eles nós nem teríamos trabalhado na ação.

Agora raciocinem comigo. Se você participa de um projeto e não recebe e ao questionar a pessoa que o convidou a trabalhar nesse projeto escuta “não recebemos ainda por isso não houve repasse” e ao questionar a outra parte, a que deveria pagar, ouve “honramos tudo que devíamos” o que você imagina?

a) Que quem lhe convidou recebeu e embolsou, não lhe repassando ou
b) Que a outra parte não pagou de fato e está agindo de forma leviana.

Estávamos em véspera de divulgar o novo Cai na Rede, no Portal havia uma contagem regressiva para o lançamento – que já havia sido divulgado pelo perfil oficial do Twitter. As coisas fervendo e de repente somos cobrados a tomar uma posição.

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“Se houve calote oficialize, não dá pra você ficar dizendo que não recebeu e eles dizendo que pagaram!”. E o comunicado sobre a nova ação morreu, afogado entre pressões, e tivemos que oficializar o que já sabíamos a tempo conforme e-mails abaixo.

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Sim, gente, desde de 17 de outubro que sabíamos o que se passava pela cabeça deles. Não estamos falando de atrasos, estamos falando de dizer que não tem NADA à pagar. NADA. Nosso trabalho, os 9 meses de dedicação, luta, de planejamentos, de problemas… e NADA.

O que vocês acham? Sejam sinceros, eu peço. Devíamos ficar calados mendigando em segredo por um trabalho que realizamos, sermos chamados de mentirosos, de caloteiros e segurar toda a pressão para defender nossa permanência no mercado ou expor algo assim, expor a forma como lidaram com um projeto vencedor e sem nada temer em função de seu cargo? O silêncio vergonhoso ou o grito “anti-ético”?

E eles voltam a mentir, dessa vez de forma pública.

Acuados diante de uma repercussão muito maior do que esperavam – foram surpreendido pela força da mídia social em quem eles acreditaram ao receber o projeto de nossas mão e de quem duvidaram ao resolver não nos pagar – são forçados a dar uma declaração. Então Jamildo publicou nesse post a carta oficial que desmentia nosso comunicado. Ao menos era o que tentava.

Abaixo transcrevo a carta integralmente.

“Aos Blogueiros e à Opinião Pública

Em atenção aos blogueiros de todo o País e em especial aos que nos proporcionaram a satisfação de terem participado do evento Porto Cai na Rede, a equipe técnica da Secretaria de Turismo de Ipojuca e a Associação dos Hotéis de Porto de Galinhas comunicam a inexistência de quaisquer compromissos contratuais junto a Dáblio Social Media, cuja participação no evento limitou-se à solicitação de um Termo de Anuência através do qual pretendia, conforme justificou, obter credenciamento para captar apoios promocionais pertinentes aos seus interesses comerciais.

Aos blogueiros e à opinião pública, a Secretaria de Turismo confirma que o trade turístico de Porto de Galinhas acolheu e assumiu todas as despesas relativas às hospedagens, alimentação, transportes, passeios, filmagens, fotos, camisetas, banners, faixas, transfers, lançamento do projeto, criação e hospedagem do site, assessoria de imprensa e eventos sociais voltados para os seus ilustres convidados, num leque de pacotes orçado em mais de R$ 200 mil e classificado como importante investimento, no sentido de ampliar a repercussão nacional e internacional da melhor praia do Brasil.

Por outro lado coube à Empresa de Turismo de Pernambuco – Empetur, a aquisição de todas as passagens aéreas destinadas aos convidados, em sintonia com o mesmo espírito de promover ainda mais o maior pólo de Turismo do Nordeste.

O evento alcançou seus objetivos, não gerou qualquer dívida para Secretaria de Turismo de Ipojuca nem deixou débitos de qualquer natureza junto ao trade turístico ou aos seus fornecedores, conforme pode ser facilmente constatado junto a hoteleiros, restaurantes, empresas de receptivo e a todos os demais segmentos parceiros da exitosa iniciativa. Nesse conjunto de providências, os itens que ficaram sob a responsabilidade da Secretaria de Turismo de Ipojuca, além de outras medidas necessárias, foram todos atendidos a contento .

Além da inexistência de contas a pagar, a Secretaria de Turismo do Município reafirma e torna público que jamais firmou contrato de prestação de serviços com a referida empresa e que considera absolutamente estranhas e improcedentes as informações veiculadas no site portocainarede e twitter.
Ipojuca, 24 de novembro de 2009.

Diego Jatobá
Secretário de Turismo, Esportes e Cultura do Ipojuca”

Em uma atitude irresponsável e absurda eles fazem uma declaração OFICIAL mentindo publicamente como provaremos a seguir.

”…comunicam a inexistência de quaisquer compromissos contratuais junto a Dáblio Social Media, cuja participação no evento limitou-se à solicitação de um Termo de Anuência através do qual pretendia, conforme justificou, obter credenciamento para captar apoios promocionais pertinentes aos seus interesses comerciais”

Observem que eles eles alegam duas coisas importantes – peço que sejam criteriosos afinal eu posso estar sendo parcial. Desculpem a ausência de termos jurídicos mas preferi escrever sobre o que entendo, sem suporte de advogados nesse caso (que podem se manifestar nos comentários).

a) Não houve compromisso contratual.

É verdade. Aqui eles não mentem, apenas assumem um erro que pode gerar diversos problemas juntos aos órgãos fiscalizadores da União. Se comprovarmos que criamos, planejamos e executamos o projeto Porto Cai na Rede sem que houvesse contrato provamos também que a Secretaria de Turismo de Ipojuca, responsável por toda lisura de qualquer tipo de atividade – incluindo aí só ter serviços prestados por terceiros mediante processo burocrático definido pela lei – contou com nossos serviços de forma “ilegal”. Nos acusem de ingenuidade e boa-fé, não mais que isso. Trabalhamos de forma séria e obtivemos um resultado surpreendente e nosso trabalho é reconhecido mediante uma negativa de pagamento e uma carta onde alegam que não trabalhamos na ação.

b) Que a participação da Dáblio na ação limitou-se a “solicitação de um Termo de Anuência através do qual pretendia, conforme justificou, obter credenciamento para captar apoios promocionais pertinentes aos seus interesses comerciais”

Uma mentira tão carente de embasamento que podemos desmacará-la de dezenas de formas diferentes. Mas que tal deixar a própria Secretaria se desmentir?

Vamos lá vocês podem checar AQUI – se ainda estiver online – ou observar o screenshot devidamente registrado da página oficial da Secretaria de turismo de Ipojuca.

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E que tal checar em nome de quem está o domínio oficial da ação? Vamos ver?

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Surpresa!!! No meu nome. E que tal no nome de quem está o contrato para criação e manutenção do portal? No nome da Dáblio também. E o twitter? Comigo, claro.

E o que alguns convidados tem a dizer sobre isso?

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Achou pouco? Que tal o vídeo onde o secretário pessoalmente agradece a um certo maluco, que está de braços cruzados ao lado dele, e que por acaso sou eu, por ter levado o projeto até ele?

Recepção dos Blogueiros no #PortoCaiNaRede from Fábio Buchecha on Vimeo.

Esse é apenas um dos vídeos. Na coletiva de imprensa o discurso se repete quando ele convida “o criador da ação a descrevê-la a todos”, ou seja, eu.

Temos ainda os convites enviados por mim e minha equipe, contatos e centenas de e-mails – onde inclusive discutimos a função de cada um que trabalhou comigo nessa empreitada. Provas não faltam de que não só fizemos a parte de Social Media como criamos camisas, banners, material de divulgação, trabalhamos ativamente na produção e muito mais.

Negar nossa participação foi não só leviano como estúpido, já que, como pode ver, pode ser facilmente comprovado.

E as cartas de anuência?

Ah, e essa história das cartas de anuência. Hum, interessante explicar o porque deles terem citado estas cartas e o verdadeiro objetivo delas.

No projeto inicial constavam duas coisas importante: um kit de boas vindas e conexão 3G para os convidados – fundamental em nosso entendimento. Como a secretaria alegou não poder bancar esses itens nós nos colocamos a disposição para tentar, afinal queríamos que tudo corresse perfeitamente, mesmo sabendo que seria quase impossível conseguir em virtude do pouco tempo. Observem o e-mail abaixo.

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Observe que solicitamos ofícios para conseguir APOIO e não PATROCÍNIO que são destinados as empresas que poderiam suprir algumas das necessidades.

As empresas de telefonia seriam solicitados os 3Gs, a Pitú kits de Pitú Gold, a Casa dos Frios seriam Bolos de Rolo, as indústrias de bebida apoio para a realização do Lual – que terminou por ser substituído pelo casamento.

Mas porque eles citaram elas então? Simples. Primeiro eles sabem que temos as cartas e que elas comprovariam um compromisso e por isso precisavam enquadrá-las em uma situação onde não se expusessem muito. A outra é que acharam que assim poderiam justificar que não recebemos porque nenhum desses “patrocinadores” quis bancar a ação. Não trabalhamos para nenhum deles, como podem perceber.

Mas não termina por aí…

O fato, amigos, é que engolimos muitos sapos calados mas jamais sairíamos dessa de bandidos.

Ainda durante a ação soubemos que o Porto Cai na Rede 2 aconteceria sem nossa participação, por ideia de Diego Jatobá – que devido ao sucesso da ação criou um perfil no twitter – e de um outra pessoa envolvida. A secretaria pretendia usar o nome, marca e formato que nós criamos sem a nossa participação em virtude de várias criticas feitas pela pessoa interessada em ficar à frente da próxima ação e que prometeu angariar patrocínios vultosos.

Nossa ação seria kibada, nós não receberíamos e ainda seriamos difamados.

E, depois de muito relutar, assumimos que não receberíamos – mesmo depois de termos tentado muito chegar a um acordo – e ainda tem gente que acha que estamos errados.

A Secretaria, num ato digno de quem perdeu o controle, enviou a carta aberta aos blogueiros convidados. Sim, amigos, os blogueiros – alguns que lidam comigo sobre essa ação desde do embrião dela – receberam uma carta onde Diego Jatobá dizia que minha empresa não havia participado da ação. COMASSIM?

Eles, os blogueiros que trocaram centenas de e-mails comigo, a quem fui buscar em São Paulo, a quem dei suporte integral de repente se viram chamados de idiota pela secretaria de Ipojuca. O resultado? A maioria deles me autorizou a usar todos os e-mails trocados e material produzido por eles durante a ação no processo que antes era de cobrança mas que agora, por orientação de nossos advogados, toma outro rumo.

Impunidade certa?

Enquanto alguns nos julgam anti-éticos e outros riem de nosso prejuízo muitos, agradeço a todos, nos apóiam. Estejam certos de que tudo que queríamos era receber por um trabalho inovador realizado com excelência e de forma alguma desejávamos ter que administrar um problema como esse.

E, achando que não estou sozinho, me afirmo surpreso por um órgão publico emitir nota leviana e mentirosa, tão facilmente exposta diante da fraqueza de suas informações e força das provas, achando que isso não lhe causará nenhum tipo de transtorno. Achar que mentir desse jeito para a opinião pública não irá gerar nenhum tipo de punição.

Finalizando

O Objetivo desse post é esclarecer a participação da Dáblio no Porto Cai na Rede – criação, planejamento, casting, web, produção in loco e muito mais, expor o porque de nossa indignação e deixar claro que em momento nenhum buscamos qualquer tipo de confronto. Mas, por mais que relutemos, ter negada nossa participação na maior ação de social media – que foi criada por nós – certamente não é algo que nos fará calar.

Infelizmente parece que essa história ainda vai repercutir muito. Infelizmente mesmo. Não parece haver intenção de acordo por parte do “jovem e dinâmico” secretário Diego Jatobá ou da Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura de Ipojuca.

É o país que vivemos mas será que é o país em que queremos viver? Reflitam.

Uma bostaDá pra passarÉ... bonzinho atéTaí, desse eu gostei!Bom BAGARAI! (50 Opinaram, Média: 4,82 de 5)
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106 comentários to “A verdade por trás do Porto Cai na Rede – O retrato de como alguns políticos se acham acima da lei”

  1. pedreiro999 disse:

    postei no sedentário:
    Coisa de amador? sei não…. Não consigo acreditar que o cara que tem a sagacidade de montar uma estrutura dessas tenha feito um trabalho soh com promessa.

    Deve ter rolado algo assim:
    -oh…a gente te paga..mas se for no contrato nao vai dar…entao,faz,que a gente acerta depois,belê? Tamo junto e misturado!
    - é nois, porto vai bombar mano!

    Aih o cara achando que só a mãe dele teve filho esperto aceita na hora!

    Insano, ingênuo ou corrompido? Talvez nunca saberemos.

  2. Nuno disse:

    Bem… da próxima vez, faça um contrato.

  3. Dondiego disse:

    Não sei quem foi o pior… de um lado temos um que dá o calote…

    De outro lado temos o outro que não fez o bendito do contrato…

    Ou isto é parte de um “ajeito” como disseram em outro comentário ou esta empresa não tem o mínimo profissionalismo. Juntaram ae uma “galera” que “mexe” com “publicidade”, criaram um CNPJ e pronto… empresários!

    Tem gente que procura problemas com a própria mão.

  4. Leo disse:

    Caramba que história, o pior erro foi não ter tudo relatado no contrato, pois seria uma prova cabal para solucionar o problema e mostrar a face dos desonestos. Mas sei que a mentira tem perna curta e a verdade prevalecerá, Brasil é um País em que quem tem mais dinheiro manda, quem não tem é obrigado a aceitar. Espero que vocês consigam dar um passo positivo e revolucionar esse País, a impunidade deve ser combatida e que vocês consigam realmente o que é de vocês.

    PARA A LEI E OS ORGÃO COMPETENTES DESSE PAÍS FICA ESSA FRASE:
    “A IMPUNIDADE FAVORECE O CRIME.”

  5. João Textor disse:

    É exatamente por isso que quero me tornar advogado, pra defender a população de instituições publicas e governos que na primeira oportunidade nos passam a perna, e se a esta oportunidade não aparecer logo, eles mesmo criam, afinal, eles podem tudo e saem impunes porque a maioria tem medo de confronta-los.

  6. [...] esse fim de ano esteve longe de ter sido bom. Me envolvi profissionalmente com algumas das pessoas mais canalhas e sem caráter com quem já cruzei na vida e o resultado foi financeiramente desastroso. E, amigos, acredite, isso [...]

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