Mídia Social. O que esse bicho come?

E aí, mídia social ou social media? Bem, se você quer ser chique e antenado use social media, vai parecer que tem mais cacife. Mas, bem, além de saber falar o nome e inglês o que mais você sabe sobre isso? Vamos ver o que o novo pai dos burros, a Wikipédia, diz a respeito.

“Mídias sociais são ferramentas online projetadas para permitir a interação social a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de informação nos mais diversos formatos.

Elas abrangem diversas atividades que integram tecnologia, interação social e a construção de palavras, fotos, vídeos e áudios. Esta interação e a maneira na qual a informação é apresentada dependem nas várias perspectivas da pessoa que compartilhou o conteúdo, visto que este é parte de sua história e entendimento de mundo”

Bem, além de não tentar ser chique, a Wikipédia nos dá uma definição puramente digital do que é esse bicho estranho que ninguém sabe direito nem o que ele come. Mas é isso mesmo? Será que mídia social é isso?

Bem, talvez Alex Primo possa responder isso com mais segurança – afinal o cara é FODA nessa área – mas o que vocês vão encontrar aqui é minha opinião. E, como acontece muitas vezes, ela não casa muito bem com a definição comumente aceita. E daí se os catedráticos acham que mídia social tem a ver com mídias digitais? Eu não tenho que concordar com isso. Nem de longe. Pra mim a definição do que é ser social é que vale.

Como podem imaginar eu acompanho diversos blogs sobre o assunto, sigo pessoas no twitter e pesquiso com mais freqüência do que minha famosa aversão por estudo consideraria normal. O que tenho visto é que está acontecendo uma burocratização do processo. As definições e opiniões estão cada vez mais próximas. Gente tenta criar fórmulas, gente tenta criar métodos, gente tenta criar manuais. Eu? Bem, se eu discordo da existência de experts em mídias sociais claramente discordaria da ideia deles de mídias sociais.

Uma coisa tem me impressionado. Observem que alguns blogueiros vão se inteirando do universo das mídias sociais, estudam um pouco, interagem e, por ter conhecimento acima da média sobre o assunto, abrem uma empresa. Ótimo, se você tem um olho só é a melhor escolha para liderar os cegos, claro. Mas o que me impressiona é o fato de que assim que se “profissionalizam” eles perdem justamente o lado SOCIAL da coisa. Burocratizam, criam sistemas, ficam sérios, escrevem de forma formal, se distanciam. WRONG. Elas estão se afastando, seguindo no caminho inverso…

theinternet 
E aí, Eden, em sua opinião o que vem a ser mídia social? ilumine-me mestre! – você está dizendo agora (obrigado pelo mestre, jovem gafanhoto). Mídia Social, em minha modesta opinião, é mais do que conjunto de ferramentas que permitam a interação e integração de usuários da WEB, proporcionando a replicação, fixação ou divulgação de determinado conceito ou informação, de forma colaborativa ou não. É maior que isso!

Quem disse que precisa ficar no virtual? Quem disse que tem de ser digital?!!?! Quando o virtual e o real se misturam alguém vem logo dizer que foi uma ação de “social media” unida a uma ação de campo – seja ela de guerrilha ou não. Eu digo que foi uma coisa só! Gerou interação, replicação, boca-a-boca, interesse, replicação de informação? É mídia social!

Concordo no ponto de que usaria o termo mídia social de forma mais confortável se houver o uso das ferramentas que servem para tanto (orkut, twitter, blogs, facebook e afins) mas não necessariamente se ficar no mundo virtual. O Porto Cai na Rede é um bom exemplo disso. A web é o veiculo, claro, mas o conteúdo de fato vai ser gerado no mundo real. A interação acontecerá em 3 momentos distintos: blogueiros x blogueiros (real), blogueiros x leitores (virtual) e leitores x leitores (virtual). Tire o real e o que sobra? NADA!

Outro exemplo genial. Claudia Giane, blogueira editora do Bolsa de Novidades, é jornalista, twitteira e, agora, uma apaixonada por mídia social. Claudinha pensou fora da caixa. Ela tinha o blog, que vai muito bem obrigado, mas sentia falta de algo menos mídia e mais social. Ela pensou, criou e agiu. O conceito foi esse “aproximar de verdade já que a WEB aproxima de forma virtual”. E a ferramenta de mídia, a WEB, ajudou a reunir pessoas que tem interesses sobre o mesmo assunto – e estão cansadas do distanciamento que a WEB proporciona (é paradoxal, eu sei). Claudinha então criou o Entre Amigas, uma reunião de 30 leitoras do blog que, patrocinadas por alguma marca ou cliente, se juntam para debater algum assunto de interesse de todas.

amigas_fofocando 
Rá, alguém já deve ter dito “Ah, mas isso é uma pesquisa qualitativa!”, parece não é mesmo? Mas não é. São amigas, que se reúnem para uma conversa não direcionada. Apenas isso. Esperta é a marca que observando o maravilhoso potencial de branding de algo assim – afinal são usuários de mídias sociais e capazes de viralizar informação – dão suporte, participam e bancam ideias como essa. Mídia Social de verdade (por isso as letras maiúsculas) não intrusiva, participativa e conquistando os usuários lhes proporcionando uma experiência única. E nem vou discutir aqui o quanto elas, as participantes, estão sujeitas a receber melhores novos conceitos e ideias se sentindo seguras e amparadas em seu grupo… é psicologia demais para mim.

Em resumo, para mim a mídia social tem que deixar de ser encarada apenas como mídia, temos que pensar mais no lado social. A experiência é muito mais vigorosa quando vivida em grupo, acreditem (e não, Cardoso, isso não inclui orgias com japonesas). Existem várias formas de unir o real ao virtual, e, clichê como não pode deixar de ser, a soma dos dois é algo maior, mais eficaz e muito mais eficiente.

E, sim, a Dáblio é isso, uma empresa criada por um blogueiro – e publicitário, que apaixonado por mídia social, resolveu utilizar seu olho bom para guiar o resto dos cegos. Presunçoso? Não, corajoso mesmo. Preferia estar contratado ganhando R$ 10.000,00 por mês mas até lá o desafio tem sido fantástico e a Dáblio vai continuar metendo as caras mas sempre com esse jeito divertido, despachado e eficiente. Ah, bendita sede de saber…

Uma bostaDá pra passarÉ... bonzinho atéTaí, desse eu gostei!Bom BAGARAI! (9 Opinaram, Média: 1,89 de 5)
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10 comentários to “Mídia Social. O que esse bicho come?”

  1. Meu pequeno Hobbit, discordar de seu posicionamento não é uma opção nesse caso. O que repito aqui é o que já lhe disse mais de uma vez: o problema(?) da formalização existe sim, mas nãoa tribuo ele inteiramente aos que trabalham com a mídia social.

    Veja bem, se profissionalizar para mim significa fazer o négocio crescer. Conseguir grandes clientes/contas/jobs exige sim uma certa formalização, pois pouquíssimos clientes tem a amplitude de visão que os comunicadores que trabalham com social media (teoricamente) tem. Um CEO de uma grande empresa normalmente quer apenas ver números, projeções de resultados imediatos, estágios da ação… Tudo cronogramado e de preferência com o quanto vai custar logo embaixo.

    Vejo essa formalização como uma maneira de driblar a burocratização que vem dos prórprios clientes. Inclusive, acho que isso vem ajudando muito o mercado de social media, pois aos poucos a clientela está sendo educada, se adequando às novas realidades da comunicação.

    Ou eu posso ter falado um monte de besteira né? :-P

    RESPONDENDO:

    Nobre Bichecha, seu ponto de vista é deveras válido, como já começamos a argumentar pessoalmente, é entendível essa formalização juto ao cliente, claro, mas será que ela precisa se estender aos blogueiros? Diria que não. Quando isso acontece acho que parte para uma coisa do tipo “Olhe, eu sou sério, sou empresa, não sou mais seu coleguinha blogueiro, exijo respeito e seriedade”.

    Louvável? Sim, claro. Necessário? Tenho lá minhas dúvidas. Mas, como eu disse, não vejo fórmulas nesse universo, o errado posso ser eu! Sigo achando que o SOCIAL significa interação, amizade, integração… e burocracia fake nunca ajudou nisso.

  2. Éden, se tratando de concorrência, tu sabe como é né? Todo mundo quer manter a hegemonia, e se for preciso arugmentar absurdos como “não dá pra fazer seeding”, as pessoas o farão :-)

  3. georgia disse:

    olá, li este post através do link do Alex Primo no twitter. Faço mestrado em comunicação e tecnologia na UTP – ctba e tenho uma consultoria em social media. Sim, uso o termo em inglês mas não pra ser chique. Uso pq me parece significar melhor o que mídia social quer dizer, concordo com vc neste aspecto. Uso o social para social, sociabilidade e media no sentido de meio, suporte. O termo usado em inglês dá ênfase justamente ao que vc escreve, um meio, um suporte para sociabilidade. Ações publicitárias realmente nada tem a ver com social media, mesmo que aconteçam no mesmo ambiente.
    Para trabalhar neste âmbito acredito que os profissionais precisam no mínimo do entendimento do que é o suporte, do que ele permite, de como ele limita e quais são os usos e apropriações que os usuários fazem das ferramentas além de como as relações sociais acontecem, de como se formam redes sociais (online e offline).
    um abraço, muito legal o blog!

    RESPONDENDO:

    Pois é, Georgia, você acabou de apresentar um bom motivo para usar social media – eu ainda usarei por achar mais bonito, assumo, mas seu argumento foi matador. Acredito que a SOCIAL MEDIA é um bom meio para propaganda, sem dúvida, mas antes de qualquer coisa é um meio de comunicação, seja ela on ou off.

    Nada mais é do que informação trafegando em um grupo – que pode ou não sair desse grupo e replicar em outros – utilizando pessoas como veículos, seja a WEB o meio ou não. Quanto mais esse grupo for vinculado a outros mais fácil a viralização da ideia, quanto mais afastado de outros mais direcionada ela deverá ser. Mas esse trafego não precisa ser virtual, ele pode ser físico ou pode ser os dois.

    O problema é que as “empresas” que atuam nessa área – principalmente as neófitas – não enxergam isso

    Fico feliz que tenha comentado e que tenha gostado.

  4. Claudia disse:

    Obrigada pela citação do @entreamigas no post. Parece que o que falta mesmo é que algumas pessoas percebam que são pessoas que estão por trás das mídias sociais…opa, é social!…portanto, sociedade, gente! Quando perceberem a interação rápida, quase instantânea, de longo alcance…aí sim, terão compreendido o conceito.
    Ah, e fazer parte da Dáblio e do Porto Cai na Rede tem sido FANTÁSTICO!!!!
    :)

  5. Thiagão disse:

    Éden, vc com uma pergunta conseguiu responder boa parte das questões: “Quem disse que precisa ficar no virtual?”. A Social Media está ai para aproximar as pessoas, para ser coadjuvante, pois nela os protagonistas somos nós. Costumo dizer a meus alunos que o “virtual” deve sempre tornar-se REAL.

    A Social Media precisa voltar a valores tão simples e antigos. Precisa deuma valorização humana, um respeito pelo espaço do outro, de informações e produtos sendo passadas de “pessoa” para “pessoa”, numa rede que se relaciona com apreço, humanidade e materialidade.

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  8. lucitorreao disse:

    Eden, você esqueceu de citar que o projeto Entre Amigas é de Juliana Lopes, do Necessaire também, idealizadora do evento.

  9. lucitorreao disse:

    A propósito, ela é a idealizadora do blog Comedoria.com Junto comigo. Em breve estaremos de volta com novidades, novo leiaute, novas seções e muita coisa gostosa!

  10. lucitorreao disse:

    OPs, colei errado o comentário…favor repostar:
    Eden, você esqueceu de citar que o projeto Entre Amigas é de Juliana Lopes, do Necessaire também, idealizadora do evento JUNTO com Cláudia Giane!

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