
Como diria Earl “Karma is a BIATCH!”. E esse fim de semana muita gente concordou com ele. Era de se esperar que logo aparecesse uma praga de Twitter. Diria até que era natural. Com a ferramenta se tornando cada vez mais relevante (preparem-se, essa palavra será muito usada neste texto) logo os idiotas criariam uma forma de roubar senhas e utilizar a conta do otário da vítima para propagar seus trojans. Uma mensagem direta com um link o leva para uma página clone do Twitter, lá você adiciona seu login e senha e… pimba, sua conta já era. E o Karma? Ah, ele fez com quem uma certa pessoa fosse vítima dessa ação.
Tessália Serighelli, mais conhecida por @twittess, vem dando entrevistas a blogs, sites, jornais e, mais recentemente, a Playboy. O assunto? Twitter. O motivo? Ela possuía mais de 34.000 seguidores. Sim, possuía, no passado. Ontem sua conta foi roubada e resetada. Em mais de 24 horas ela recuperou apenas 106 de seus seguidores. E algumas pessoas estão rindo muito com isso.
Invejosos, dirão alguns. Talvez, talvez alguns sejam, outros não. Vamos tentar entender uma coisa…
Você tem um blog com mais de 5 anos online. Trabalhou arduamente para fazer com que ele se tornasse relevante (olha ela aí outra vez), cultivou amizades, participou de eventos, gastou dinheiro e montou um bom network. Você aderiu ao Twitter logo cedo, usou a ferramenta do jeito certo, vem estudando-a como a outras mídias sociais. Cresceu de forma honesta, seguindo um ritmo que consideramos normal. Se tornou relevante por seu trabalho.
Esse relevância tem um objetivo, claro, monetização. Quanto mais relevante mais viável você será para ações de marketing, mais influente, mais reconhecido. É seu TRABALHO – nem todo mundo tem blog de brincadeira.

Eu sou sexy, eu mereço ser ouvida!
Aí alguém usa alguns artifícios para fazer com que sua conta no Twitter exploda. Uma foto sexy, muito conteúdo indicado todo dia e… um script. Sim, ele, o famigerado script que já gerou tanta celeuma. Assim surgiu a @twittess. Tessália USOU sim desse artificio. Ela cresceu assim. E, chegando lá, fez seu trabalho de casa direitinho para se manter onde chegou. Verdade seja dita: educada, atenciosa e, porque não dizer, responsável por muitas dicas interessantes (natural, se você segue milhares de pessoas e tem paciência e tempo pode realmente selecionar muita coisa boa para replicar/indicar) ela se tornou uma referência… mas da forma errada. Deu entrevistas falando como se entendesse tudo de novas mídias, de web 2.0, ela acreditou na mentira que ela mesma contou. Esse é o maior erro no qual pode incorrer alguém que vive numa mentira ou fantasia.
Ok, já entendemos quem é e como chegou, mas o que vem irritando os blogueiros conhecidos? Apesar do “sucesso” ela é apenas uma assistente de fotografia que chegou ao topo pegando atalhos. Ela não é preparada para dar entrevistas ou ensinar sobre mídias sociais e novas mídias. Diferente de muita gente que vem se matando para conhecer a fundo essas ferramentas, que até agora ainda são mais do que misteriosas até para quem dedica tempo integral ao seu estudo, ela não devia aparecer como a cara do Twitter justamente pelo risco de falar bobagem, de dar informações erradas, de atrasar o crescimento da ferramenta.
Ela, ou outras pessoas que tomaram o mesmo atalho, não deviam sequer ser cogitados para ação de marketing sob risco de mascarar de forma absurda o resultado. Muito menos para ser a FACE de qualquer coisa relacionada com mídia social ou nova mídia (é, eu também não gostos destes termos).
Não pegou? Vamos explicar. Ferramentas como o Twitter tem um diferencial das mídias abertas. Em tese a sua capacidade de influenciar pessoas deve ser muito mais importante do que a quantidade de seguidores. Vamos dar um exemplo:
1. Sivirino tem um Twitter e ele é seguido por Bill Gates, Bill Clinton, Obama e Steve Jobs. Ele tem apenas 4 seguidores mas, por ser uma pessoa séria, respeitada e RELEVANTE para esses seguidores ele tem a possibilidade de influenciar alguns dos homens mais poderosos do mundo. Sivirino certamente é muito mais relevante que Danilo Genitili que é seguido por mais de 60.000 pessoas.
Observem que não estou fazendo pouco da capacidade de replicação de mensagem de Danilo, isso ele tem. Cada twittada dele deve ser lida por no mínimo 20 mil pessoas que, de certa forma, o admiram e acreditam que sua opinião tenha um mínimo de importância.
Qual a relevância de uma pessoa que conta com a reciprocidade para ganhar seguidores?
O que defendo aqui é que as agências de propaganda vão precisar de muito mais que analisar simplesmente o número de seguidores de um perfil no Twitter para decidir pela inclusão dele em uma campanha. Os mídias vão ter que fazer o trabalho de casa de forma séria. Verificar quem segue aquele perfil, e quem segue esses outros perfis. Vão ter que buscar um histórico da pessoa por trás, estudar de verdade, exatamente como fazem – ou deviam fazer – com as mídias convencionais.
Em tempos de novas mídias a ideia começa a custar mais caro que a veiculação. Ações em mídia convencional são caras, muito caras. Da produção à veiculação tudo custa muito. Nas mídias sociais a coisa é diferente. Os preços são ínfimos – em parte por causa dos “veículos” que ainda não sabem precificar sua relevância – e a produção muito mais simples. Mas e o resultado?
Convencer o cliente a investir seu suado dinheirinho em novas mídias significa assumir uma grande responsabilidade: provar que FUNCIONA. E para funcionar não dá pra apostar no número de seguidores, na posição no Grader ou na quantidade de RT… a mensagem pode chegar a muitos ouvidos, ouvidos moucos. Enquanto as agências não encararem esse estudo da relevância de forma muito séria as novas mídias estarão sempre sob risco, na área cinza. Afinal não dá pra esperar isso dos usuários ou dos jornais e revistas, não é mesmo?
E, como disse @oCriador: Twittess, do pó vieste, ao pó voltaste. Espero que com ela tenha ido para o saco toda uma fase de usuários de scripts e pseudo-estrelas.