A imbecilidade por trás do politicamente correto

Em homenagem o case Michael Jackson vale a republicação desse post sobre negros, brancos, racismo e politicamente correto.

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Na minha adolescência tive dois amigos, irmãos, chamados Leonardo e Leandro. Eles são, de acordo com a norma do politicamente correto, afro americanos. Eles são, segundo a definição de Leo, negrões azulados.

Dois irmãos que encaram de forma distinta sua natureza étnica. Leo conta divertidas piadas de preto, segundo ele corta o cabelo com lixa elétrica, diz que vai pra praia pegar brilho e que quando passa hidratante fica fosco. Leandro não gosta de ser chamado de “de cor”, acha o sistema de cotas uma maravilha, e parte pra briga quando contam piadas de preto. Leo acha o sistema de cotas uma imbecilidade – acredita que devia ser voltado a classe social e não a cor, deixa recado dizendo na caixa de mensagens dizendo “é o negão, porra” e saiu no carnaval de Olinda fantasiado de Rei Africano. Leandro vibrou por Obama ser negro. Leo vibrou por Obama ser inteligente. Leandro sempre usou cabelo curtíssimo, com uma fina linha raspada simulando o cabelo dividido de lado. Leo já usou dread e blackpower. Leandro gosta de loira. Leo gosta de MULHER. Leandro é, apenas de apenas um ano mais velho, continua na faculdade e vive de mesada. Leo é um médico de sucesso que deve ganhar algo em torno de R$ 15.000,00 mês.

Enquanto Leo chega nas meninas com uma cantada como “depois de experimentar o negão aqui até moreno vai parecer ruim para você” Leandro alega que tudo de ruim que acontece na sua vida é obra “do racismo” brasileiro.

Antes que eu continue peço que assistam o vídeo abaixo que foi postado por Marcel lá no Byte que eu gosto.

Impressionante, não?

Enquanto Leandro alega que foi reprovado naquela entrevista de emprego por ser negro, enquanto ele alega que a menina não dá bola pra ele por causa de sua raça, enquanto ele culpa sua pele por suas mazelas, Leo, livre desse tipo de imbecilidade que impregna o “politicamente correto” vive feliz e realizado.

Eu não nego que haja racismo. Não nego que seja mais difícil ser negro que branco (e ainda mais difícil ser negro e pobre). Não podemos negar nada disso. Mas, sinceramente, concordo com o vídeo acima. Acho que boa parte da própria população negra é “programada” para se tornarem Leandros e não Leonardos. O racismo segue, mas de uma forma distinta. Que acha de usar uma camisa escrito 100% branco? Ou que tal uma dizendo 100% Jardins? Que tal montar um grupo musical chamado Orgulho Branco? Risco de cadeia, meu chapa. Algum amante do politicamente correto pode acreditar que você é racista…

Sinceramente, fico com Leo, meu amigo Negão, quase azul marinho, cujo o sorriso, inteligência e auto-confiança podem quebrar qualquer tipo de paradigma racial. Prefiro ele a um babaca fiscalizador que vê agressão em todo canto, incapaz de desenvolver um mínimo senso de humor.

Enquanto houverem imbecis, de qualquer cor, o racismo existirá. Contudo a solução passa bem longe de estimulá-los a se tornarem “politicamente corretos”, ainda mais por medo de cadeia. Acredito, no meu modesto ponto de vista, que a solução está no ensino básico, dando oportunidade a cada pessoa a ter orgulho de sua cor e descendência. Acreditar em si mesmo é fundamental para se ter sucesso.

Em terra de moreninhos, cafés-com-leite, chocolate, queimadinho, bronzeados, escurinhos e afins vai ser complicado fazer com que o preconceito termine.

É Leo, ensina pra gente teu segredo…

Uma bostaDá pra passarÉ... bonzinho atéTaí, desse eu gostei!Bom BAGARAI! (12 Opinaram, Média: 4,33 de 5)
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7 comentários to “A imbecilidade por trás do politicamente correto”

  1. Fernando disse:

    Você foi um profeta quando escolheu o nome deste blog.

    Sensacional o texto.

  2. Jefferson disse:

    Cara você disse tudo que eu estava pensando desde que vi o bafafa feito no caso Elicarlos.

    O cara não tem o bom senso de entender que é algo do jogo. Garanto que se fosse o contrário e tivessem chamado o Maxi de Polaco de Mer… ou Mico Leão Dourado nem seria notícia na imprensa. Racismo não é só contra negros, e o que se diz num campo de futebol não deve ser levado em consideração na maioria dos casos na minha opinião… Se cada vez que um jogador recebesse um “Filho da P…” processasse quem o xingou ia virar farra…
    O racismo deve ser punido sim, mas um cara com um pouco mais de inteligência saberia diferenciar o verdadeiro racismo de uma coisa dita de cabeça quente, talvez se não houvesse por parte do Elicarlos essa mentalidade de se sentir inferior e rejeitado.

    Só pra constar o Alex ídolo do Cruzeiro, Coritiba, Palmeiras assumiu que já utilizou em campo muitos xingamentos desse tipo, e td mundo usa, mas disse que jamais levaria a imprensa e a polícia uma denuncia como essa…
    Seria ele o Leonardo de sua história e o Elicarlos o Leandro? Acho que sim…

    Valeu cara, tava precisando de um pouco de inteligência no meu dia, cansei de hipocrisia.

    Vlw.

    PS: Eu nem tinha percebido que isso era em homenagem ao MJ, de tão bem que ele se encaixou no meu pensamento sobre o caso Elicarlos.

  3. Thomas Miller disse:

    Pra variar, concordo com o que escrevestes.

    As pessoas não julgam as outras pelo caráter, pelas virtudes ou pela personalidade, mas julgam pela raça e principalmente pela classe social.

    Culpa de Platão, suas categorizações e seus ‘politicamente correto’.

  4. Diego disse:

    Perfeito.

  5. Dim disse:

    Concordo com a grande maioria dos seus pontos de vista (desse e de vários outros posts), e concordo com o outro camarada: o nome do blog diz tudo.
    Sou sua fã!

  6. Robin disse:

    Um amigo, quando ainda na escola, resolveu esse problema facilmente: Havia apenas um aluno negro na sala e decidiram não chamar mais ninguém de branco ou preto. A partir daquele momento, todos passariam a ser “azuis”. Mas alguns seriam de um azul mais claro, outros mais escuro…

  7. [...] eu eu seja como Leo – personagem principal de uma crônica minha sobre a imbecilidade por trás do politicamente correto, e por isso mesmo não tenha visto na piada de Gentili nenhuma alusão a negro ou a racismo. Não [...]

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