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Algumas pessoas ainda não entenderam bem o conceito de mídias sociais. É fácil perceber isso pelo tipo de importância, e não pelo grau, que dão a algumas ferramentas como o Twitter.
Ontem o Brasil viu a analogia digital para pendurar uma melancia no pescoço e dançar nu na praça. Sim, caros leitores, “celebridades” também pagam mico em sua busca por holofotes. E como pagam. Vamos contar essa história em dois tempos, como um jogo de futebol – apenas espero que você não leve 45 minutos para ler cada um deles.
1º Tempo – A Picardia
No domingo o Brasil invadiu o Trending Topics do Twitter com o #chupa. Começou com uma sacaneada direcionada a Ashton Kutcher (@aplusk), ator americano mais conhecido por ser o jovem marido da deliciosa MILF Demi Moore (@mrskutcher). O ator, torcendo pelos EUA, claro, comemorou no Twitter o segundo gol da seleção americana sobre os anões de Dunga. É claro que a torcida brasileira presente no Twitter não podia se manifestar… não até virar o JOGO. 3x2, vitória e Kutcher CHUPOU. Como bom usuário de mídias sociais que é Ashton levou a brincadeira na boa e ainda, de certa forma, a incentivou. Recebendo milhares de #chupa no Twitter ele não só verificou sua tradução como em seguida declarou ser sua nova palavra favorita.
O que se viu em seguida foi um joguinho digno de Orkut onde todos replicavam incansavelmente a tag #chupa, buscando manipular o Trending Topics (relatório de palavras de maior uso no Twitter). Logo milhares de brasileiros comemoravam o primeiro lugar no TT, o que levou a própria Demi Moore a confirmar sua surpresa com a força dos brasileiros na mídia social.
O sucesso dessa “ação” ao meu ver se deu por uma série de fatores:
a) Estávamos sacaneando um americano;
b) Estávamos sacaneando um ator americano;
c) Estávamos sacaneando um ator americano que come a Demi Moore;
d) Estávamos sacaneando a maior estrela do Twitter;
d) Tinha futebol no meio;
e) Botávamos no meio do ator ameri… ah, vocês entenderam;
f) Algumas das figuras mais relevantes do Twitter entraram na brincadeira.
Em resumo? Tiração de sarro. Nada como zoar um adversário derrotado e ainda mais quando ele é alguém famoso. Isso fez com que muita gente aderisse e levou um assunto irrelevante ao topo do Trending Topics.
2º Tempo – Eu quero palco, maluco!
Nos EUA o caso de Aston é um case e tanto. Ele seria considerado sim uma subcelebridade. Sem grandes filmes, sem grandes papeis, apresentador de um programa de pegadinhas e casado com uma musa dos anos 80/90 um tanto mais velha que ele. Tá certo, o cara pega a ex-mulher de um dos maiores modafóca do cinema de ação, o carecão Bruce Willis, mas e aí?
E aí que ele entendeu como ninguém como funciona o Twitter. Amistoso, divertido, simpático e participante, Aston realmente conversa com boa parte de seus impressionantes 2.512.160 seguidores no Twitter. Ele percebeu que parte do que leva alguém a seguir um famoso, seja ele subcelebridade ou não, é a oportunidade única de interação, coisa que dificilmente haveria na vida real. É saber mais sobre como seu “ídolo” é no dia-a-dia, na vida real e “conversar” com ele. Tanto Ashton quanto Demi entraram de cabeça na onda. Eles conversam sobre todo tipo de assunto, não hesitam postar fotos ridículas e até mesmo comprometedoras. Eles são muito mais que ator e atriz, eles são pessoas comuns – tanto quanto poderiam ser – interagindo com seus fãs. Ponto pra eles.
Existem várias formar de se ganhar seguidores no Twitter. Você pode usar script como a Tessália (@twittess) – nem digo mais que ser gostosinha ajuda afinal depois das fotos da vip…, pode dar prêmios como iPhones e TVs de LCD como o Luciano Huck (@huckluciano), despejar diversas boas piadas por hora como o Tio Dino (@tiodino), participar ativamente e de forma relevante do Twitter como a Rosana Hermann (@rosana), ser um ícone pop dos anos 80 engajado nas novas mídias como Leo Jaime (@leojaime) ou Roger do Ultraje (@roxmo) ou apenas se mostrar uma pessoa diferente da que conhecemos na mídia como é o caso do governador Jose Serra (@joseserra_).
Mas e quando você, apesar de ser “famoso” não decola? Oras, você tenta uma “genial” jogada de marketing. E assim, pela união desse panteão de “famosos”: Bruno Gagliasso, o cantor e quinta-feira Junior Lima (da extinta dupla Sandy & Junior), o apresentador do “CQC” Marco Luque, o também apresentador do programa “Pânico” Rodrigo Vesgo, o famoso “quem?” Pedro Tourinho e VJ da MTV Felipe Solari, nasceu os Piratas.
“Há, com esses caras à frente do movimento eu fico tranquilo!”
Não, não tem nada com o famoso bordão de Didi Mocó, mas acredite, não deixa de ser uma piada. Movidos pela ânsia de palco essas figuras resolveram adotar a campanha do uso da tag #forasarney – que já vinha sendo usada por uns dias por figuras como Marcelo Tas (@marcelotas) e várias outras pessoas. Eles se imaginaram capazes de fazer o #forasarney chegar ao primeiro lugar do Trending Topics e assim tornariam-se arautos da mudança, combatentes pela honestidade na politica, responsáveis por uma nova era sem corrupção. Eles seriam heróis de uma revolução digital que mudaria o Brasil.
E claro que com isso ganhariam muita mídia espontânea, seguidores e relevância – sim, eles acreditam que relevância tem a ver com números.
Só que os caras não entenderam que o grau de Orkutização do Twitter é muito pequeno. Existem idiotas? Claro, esses existem em todo lugar, mas no Twitter ainda não existem idiotas o suficiente para dar palco à palhaço, ainda mais eles sendo ruins de piadas. Composta em sua maioria por pensadores a massa do Twitter não só não comprou a ideia dos caras como ainda a ridicularizou, fazendo piadas, zoando e, muitas vezes, simplesmente ignorando seus apelos.
Não adiantou terem planejado – criando um perfil para o “movimento”, tendo hora de início e fim, terem dado entrevistas sobre o assunto. Não colou. Foram solenemente ignorados pela maioria e viraram motivo de chacota. Os piratas naufragaram.
É, psit, os cara dançô!
Prorrogação – Agora o toba ardia
Sim, eu sei que perderam de goleada mas queria manter minha analogia sobre futebol, certo? Posso?! Hunf…
E, pra terminar de enterrar essa “genial” sacada dessas instigantes personalidades, eles foram pedir ajuda de Asthon em sua campanha. O resultado? Deixo para vocês o vídeo produzido por Cardoso (@cardoso). Solta o dedo, Keyboard Cat!
Como se meu filho precisasse de algum tipo de incentivo para se acabar nos condimentos… mas, bom, não dá pra deixar de desejar essas divertidas tampas de condimentos. Olha só que nojento legal.
Essa frase nunca vai aparecer tão literal quanto ao usar essa toalha de banho. Essa divertida toalha pode ser comprada por apenas U$ 14,90. O problema todo vai ser, no caso das mulheres, aguentar a turma chamando de filé, gostosa e afins…
Quem já tentou cancelar um serviço por telefone sabe que vai encarar uma tarefa hercúlea. Pode ser o que for: celular, linha fixa, velox, speed, tv a cabo. É FODA. E o código do consumidor? É uma piada. Ao menos para os prestadores de serviço. A maioria das maiores prestadores de serviço simplesmente cagam e andam para o código e para o consumidor, se juntar os dois então… lascou!
São horas ao telefone, é o uso de gerúndio, é a transferência de um atende para outro, é o fato de termos que contar a mesma história centenas de vezes. Como já disse antes: é FODA.
Mas lembram como já comentei aqui sobre o quanto a web é poderosa nesse sentido? Sim, amigos revoltados, aqui temos realmente a palavra. No caso abaixo o pobre SAMAMBA enfrenta a maior batalha de sua vida, a batalha pelo cancelamento da SKY. Eu recomendo não só que assistam o vídeo como repassem para o maior número de pessoas que puderem.
Se você já passou por isso certamente vai se identificar com o cara, se não passou é bom saber pelo que certamente vai passar um dia.
É em um caso como esse que podemos provar que nossa voz tem poder é viralizando esse vídeo até que doa no bolso da SKY. Eu sei que posso estar sendo ingênuo, pode ser sim, mas acho que vale a pena tentar. Quem sabe assim essas grandes empresas deixem de achar que estão lidando com idiotas?
Para quem ainda não viu essa foto e soube do que se trata vai um breve, muito breve resumo: um garotinho tentou entregar uma rosa a Megan Fox e foi solenemente ignorado. Normalmente isso passaria despercebido, afinal são dezenas de flash, gritos histéricos e vários onanistas se empurrando, além dos seguranças com sua delicada postura “chegue pra lá, meu nego”. Contudo em tempos de câmeras digitais, Twitter e cia, uma foto assim pode arranhar a imagem de um ator/atriz.
E Megan, aparentemente bem assessorada, ao saber da viralização do acontecido, resolveu falar sobre o assunto. Vejam só:
Olhe, vou lhes dizer uma coisa, esse gordinho com os contatos certos iria se dar "dibem". Eu consigo pensar em algumas maneiras de Fox evitar o trauma dele…
Divertido e interessante essa ação desenvolvida pela McCann Erickson de Melbourne. A pedido da Lifebroker, uma corretora de seguros, desenvolveram uma ação em um grande empresarial, remetendo para o fato que os mais bizarros acidentes podem acontecer a qualquer momento. O cofre no chão, simulando uma queda, fazia com que os visitantes olhassem para teto, lendo a mensagem. Divertida e inteligente.
Cada vez mais empresas descobrem o poder do marketing contido em aplicativos desenvolvidos para plataformas móveis. A febre do iPhone gerou cases interessantes como o da Heineken, onde um aplicativo dá o endereço de lugares para se tomar uma breja gelada, triangulando sua localização. Ah, detalhe, ele ainda lhe ajuda a pedir o taxi na fala de um “amigo da vez”.
Agora a Dunkin’ Donuts lançou seu próprio aplicativo que mescla utilidade com marketing. O aplicativo, criado para iPhone e também para outras plataformas, tem como proposta reunir e coordenar grupos de pessoas para um pulinho em uma das lojas da rede. Você pode convocar os amigos através de e-mail ou telefone, todos fazem o pedido pela ferramenta e então é só buscar em uma Dunkin’ Donuts. O aplicativo ainda guarda os pedidos anteriores e marca seus ingredientes preferidos, além de contar com integração com Facebook.
Eu particularmente acho bem interessante. Se observarmos a quantidade de porcaria pelo que os usuários de iPhone e afins pagam percebemos o quanto é factível que baixem um aplicativo gratuito bem desenvolvido. Com o incentivo certo – uma campanha na mídia tradicional para incentivar o seu uso – o efeito pode ser recompensador. Muito mais que propaganda você proporciona uma experiência.
Ao menos a moeda do Zimbabwe. Ao menos é o que mostra a campanha criada pela a TBWA Hunt Lascaris, da África do Sul, para o jornal The Zimbabwean, que ganhou o GP de outdoor em Cannes.
Na ação o papel moeda do Zimbabwe era utilizado em outdoors e murais, como papel de parede, mostrando como não tinha real valor, culpa de sua desvalorização absurda, resultado de uma inflação desmedida. Uma grande sacada, não?
Eu ainda não tinha usado curry em nenhuma de minhas receitas. Na verdade nunca fui tão fã assim do tempero, acho que tive uma overdose de comida Indiana uma certa época e peguei uma espécie de abuso. Mas essa semana aconteceu uma daquelas coisas inexplicáveis… o abuso passou. Assim, do nada. E veio a vontade de curry. E matei essa maldita vontade, de forma magistral se minha modéstia me permite dizer.
Mas como sei que ninguém aqui está interessando em minha absoluta falta de humildade vamos a receita desse prato fácil e delicioso, que leva cerca de 1h30 pra ficar pronto.
O prato não é trabalhoso, longe disso. Ele apenas tem um tempo de preparo um pouco maior, o que é normal. Existe uma forma mais apurada de prepará-lo mas vou partir para a mais prática que ainda assim fica maravilhosa.
Ingredientes
Para o frango
1 colher (sopa) de manteiga
2 cebolas picadas
5 maçãs verdes descascadas e cortadas em cubos
3 colheres (chá) de curry em pó
3 colheres (sopa) de óleo
1/2 colher sopa de açúcar
2 cubos de caldo de frango
2 coxas e sobrecoxas e 2 peitos de frango, sem osso, cortados em cubos e temperados com sal, tempero de limão e alho picado a gosto (1 kg)
2 colheres (sopa) suco de limão
1 folha de louro
Sal a gosto
Para o chutney de manga:
2 xícaras de vinagre
2 1/4 xícaras de açúcar
2 mangas maduras picadas
2 colheres de sopa de gengibre bem picado
2 dentes de alho cortados em fatias
Meia pimenta vermelha picada
½ colher (chá) de sal
1 xícara de passas brancas picadas
Vamos começar pelo molho. Pegue os ossos que você retirou do frango e os cozinhe por meia hora em um litro de água e com os dois tabletes de caldo de frango. Quanto estiver pronto reserve o caldo. Guarde os ossos pra fazer uma sopa ou apenas faça a alegria de Rex, é com você.
Eu outra panela refogue a cebola até dourar. Acrescente a maçã, mexa bem e tampe. Deixe cozinhar por 10 minutos. A maçã vai ficar macia. Acrescente o curry, misture bem. Aqui eu usei mais curry, queria o sabor mais acentuado e picante, mas isso é de cada um, as 3 colheres que recomendo ficam muito boas. Jogue tudo em um liquidificador.
Adicione o caldo de galinha e bata. Vá colocando aos poucos e batendo, até ele atingir a consistência que você deseja. Eu prefiro mais cremoso então 1/2 litro de caldo resolveu.
Agora o frango. Pegue o frango temperado e dê uma bela dourada nele em uma frigideira grande usando o óleo. Quando estiver douradinho passe para uma panela junto com o molho. Jogue a folha de louro e acerte o sal. Aqui vai o pulo do gato: o açúcar. Como a maçã verde é muito ácida precisamos misturar o açúcar para minimizar essa acidez. Coloque o açúcar de deixe cozinhar por 20 minutos, pra pegar o sabor.
Dica extra. Se quiser mais cremoso pode adicionar um pouco de requeijão ou iogurte ao preparo.
O Chutney. Para fazer a calda, leve ao fogo alto o vinagre e o açúcar e mexa bem até dissolver completamente o açúcar e formar uma calda bem grossa. Quando a calda começar a ferver, é hora de juntar a manga. Mexa por cerca de 10 min até a fruta ficar bem macia, quase se desmanchando. Depois, coloque todos os outros ingredientes e mexa por uns 15 min até a calda reduzir bastante. O ponto ideal é o de um doce de colher.
E para acompanhar?
Para acompanhar usei arroz branco, apenas com sal e um pouco de alho, daquele de hospital mesmo, mas bem soltinho, e mais duas coisinhas que fizeram toda a diferença…
Batatas ao forno. Pegue batatas grandes e as corte ao meio (de forma que elas fiquem achatadas) sem as descascar. As espalhe sobre uma assadeira untada com azeite, com a casca para baixo. Sobre as batatas espalhe sal grosso, uma pitada de pimenta do reino, azeite em abundância e, por cima de tudo, alecrim. Leve ao fogo pré aquecido a 240 graus e deixe por cerca de 40 minutos. Antes de tirar espete, veja se esta bem macia por dentro. Algumas vezes as batatas demoram mais pra ficarem prontas. Ficam deliciosas.
Salada de banana. Corte 8 bananas em cubinhos, junte passas brancas à gosto, misture duas colheres de limão. Mecha bem. Quando for levar a mesa adicione batata palha.
Abacaxi grelhado com gergelim. Fica também uma delicia. Toste o gergelim na frigideira, sem manteiga ou óleo, ele estará pronto quando ele começar a pular. Reserve. Grelhe o abacaxi e, depois de grelhado, polvilhe com o gergelim e com um pouco de canela.
Podem fazer sem medo. Uma refeição elegante e deliciosa, que pode ser preparada por QUALQUER zé ruela com um pingo de boa vontade. Recomendo demais.
O termo dinossauro figura entre os piores xingamentos que se pode usar contra um profissional de comunicação. Ultimamente ele tem sido usado com certa frequência contra jornalistas e comunicadores que não acreditam no crescimento da nova mídia, que a criticam e a subestimam. Mas se por um lado temos sim alguns tacanhos – afinal Darwin tem razão, não é mesmo? – por outro temos profissionais de comunicação com muitos anos de estrada utilizando as novas mídias com uma desenvoltura invejável.
Mauricio de Souza, o nosso Disney, é uma prova de que ser um dinossauro é uma escolha. Sempre à frente de seu tempo, sempre ousado, sempre feliz em suas escolhas, ele ontem me surpreendeu de forma magnifica.
Diante de todo hype a respeito da morte de Michael Jackson ele fez uma das mais singelas e belas homenagens que vi, utilizando de forma magistral o Twitter e o Twittpic. Usando a sua conta do Twitter – @mauriciodesousa – ele publicou o roteiro original, em rascunhos, de Paulo Back para uma homenagem que seus estúdios farão ao Rei do Pop. Mais de 5 mil pessoas leram a historinha em poucas horas. Centenas de blogs a citaram. Os fãs de Mauricio tiveram ali a prova de que vale realmente a pena seguir seu ídolo no Twitter, que ali haverá algo para eles. Foram premiados por sua admiração e carinho. Todo relacionamento saudável precisa de atenção de ambas as partes envolvidas – e não é nisso que as mídias sociais se baseiam? Relacionamento? – e essa ação prova de que para Maurício existe sim um relacionamento. Genial.
E um profissional de comunicação da velha guarda prova, com uma ação tão simples, que velho, no seu caso, é apenas um elogio, uma prova de que ele está no batente há muito tempo.
Parabéns, Maurício de Sousa.
Clique no link abaixo para ler o resto dessa genial homenagem.
Não existe fórmula exata para viralização de uma ação na web, isso é um fato. Mas é bem verdade que algumas coisas ajudam e muito: entre elas o conceito certo e o timing perfeito.
Michael Jackson morreu. Sua morte surpreendeu milhões de pessoas ao redor do globo e criou uma fantástica oportunidade para a criação de um viral. Se eu tivesse a conta de algum cliente como bala na agulha a primeira coisa que ia sugerir era um homenagem ao rei do pop, um imenso flash mob de pessoas dançando a coreografia de Thriller. Se bem feito seria viralização imediata. Claro que iriam chamar de oportunista, óbvio, mas sempre poderíamos defender “a homenagem”.
Seria algo como a flash mob que aconteceu na estação de trens de Antwerpen, que eu mostrei nesse post AQUI. Lembram a genial ação da T-Mobile que colocou mais de 13000 pessoas para cantarem juntas Hey Jude? Milhares de pessoas replicaram o vídeo do You Tube, grande parte delas fãs de carteirinha dos Beatles.
Milhares de pessoas, juntas, dançando a coreografia de Thriller, do nada. Seria genial. Mas não seria inédito. Algo amador já foi feito, olhem só o vídeo abaixo:
Mesmo com todas as falhas na coreografia, mesmo com a filmagem tosca, ainda assim surpreende. Já imaginou algo assim no mesmo nível que as outras ações que citei acima?
Pois é, caros publicitários, mãos à obra. Estão esperando o quê para vender essa ideia a seus clientes?
Ah, aviso logo, complicado vai ser superar esse vídeo AQUI, isso sim um viral sobre Michael, com mais de… esperem… 24 milhões de visualizações!
Em homenagem o case Michael Jackson vale a republicação desse post sobre negros, brancos, racismo e politicamente correto.
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Na minha adolescência tive dois amigos, irmãos, chamados Leonardo e Leandro. Eles são, de acordo com a norma do politicamente correto, afro americanos. Eles são, segundo a definição de Leo, negrões azulados.
Dois irmãos que encaram de forma distinta sua natureza étnica. Leo conta divertidas piadas de preto, segundo ele corta o cabelo com lixa elétrica, diz que vai pra praia pegar brilho e que quando passa hidratante fica fosco. Leandro não gosta de ser chamado de “de cor”, acha o sistema de cotas uma maravilha, e parte pra briga quando contam piadas de preto. Leo acha o sistema de cotas uma imbecilidade – acredita que devia ser voltado a classe social e não a cor, deixa recado dizendo na caixa de mensagens dizendo “é o negão, porra” e saiu no carnaval de Olinda fantasiado de Rei Africano. Leandro vibrou por Obama ser negro. Leo vibrou por Obama ser inteligente. Leandro sempre usou cabelo curtíssimo, com uma fina linha raspada simulando o cabelo dividido de lado. Leo já usou dread e blackpower. Leandro gosta de loira. Leo gosta de MULHER. Leandro é, apenas de apenas um ano mais velho, continua na faculdade e vive de mesada. Leo é um médico de sucesso que deve ganhar algo em torno de R$ 15.000,00 mês.
Enquanto Leo chega nas meninas com uma cantada como “depois de experimentar o negão aqui até moreno vai parecer ruim para você” Leandro alega que tudo de ruim que acontece na sua vida é obra “do racismo” brasileiro.
Antes que eu continue peço que assistam o vídeo abaixo que foi postado por Marcel lá no Byte que eu gosto.
Impressionante, não?
Enquanto Leandro alega que foi reprovado naquela entrevista de emprego por ser negro, enquanto ele alega que a menina não dá bola pra ele por causa de sua raça, enquanto ele culpa sua pele por suas mazelas, Leo, livre desse tipo de imbecilidade que impregna o “politicamente correto” vive feliz e realizado.
Eu não nego que haja racismo. Não nego que seja mais difícil ser negro que branco (e ainda mais difícil ser negro e pobre). Não podemos negar nada disso. Mas, sinceramente, concordo com o vídeo acima. Acho que boa parte da própria população negra é “programada” para se tornarem Leandros e não Leonardos. O racismo segue, mas de uma forma distinta. Que acha de usar uma camisa escrito 100% branco? Ou que tal uma dizendo 100% Jardins? Que tal montar um grupo musical chamado Orgulho Branco? Risco de cadeia, meu chapa. Algum amante do politicamente correto pode acreditar que você é racista…
Sinceramente, fico com Leo, meu amigo Negão, quase azul marinho, cujo o sorriso, inteligência e auto-confiança podem quebrar qualquer tipo de paradigma racial. Prefiro ele a um babaca fiscalizador que vê agressão em todo canto, incapaz de desenvolver um mínimo senso de humor.
Enquanto houverem imbecis, de qualquer cor, o racismo existirá. Contudo a solução passa bem longe de estimulá-los a se tornarem “politicamente corretos”, ainda mais por medo de cadeia. Acredito, no meu modesto ponto de vista, que a solução está no ensino básico, dando oportunidade a cada pessoa a ter orgulho de sua cor e descendência. Acreditar em si mesmo é fundamental para se ter sucesso.
Em terra de moreninhos, cafés-com-leite, chocolate, queimadinho, bronzeados, escurinhos e afins vai ser complicado fazer com que o preconceito termine.
Michael Joseph Jackson faleceu, ontem, aos 50 anos, após um ataque cardíaco ocorrido em sua mansão, em Bel Air. Não vou perder tempo tentando descrever o acontecido, milhares de blogs e portais de notícia estão fazendo essa cobertura. Tão pouco vou escrever sobre o mito, afinal o Inagaki já o fez muito bem nesse post AQUI. O intuito desse post é só observar uma coisa: que a morte lava a alma e faz de todos boas pessoas.
Calma, fãs do Jacko, não comecem a despejar verborragia nos comentários. Estou apenas constatando um fato. Ao morrerem todos se tornam bons.
A morte de Michael vai resgatar seu brilho, vai lhe conduzir novamente ao posto de Rei do Pop. Dentro de pouco tempo ele não será mais lembrado por sua esquisita mania de querer se tornar branco – e não me venham com esse papo de doença, ficaria calado quanto ao tom da pele mas e as plásticas? E o cabelo? Ele não será mais lembrado pelas acusações de abuso sexual contra crianças. As piadas aos poucos cessarão.
Se não fosse quem é certamente Michael teria apodrecido na cadeia, vítima das acusações de pedofilia. Teria sido julgado como um monstro, condenado de forma unanime por toda opinião pública. Michael foi acusado de ser o superlativo do pedófilo comum. Ele não acenava com doces ou brinquedos, ele acenava com uma terra de sonhos e maravilhas. Sonhos, mas não exatamente sonhos bons.
De criança negra prodígio à fenômeno do pop. De fenômeno do pop à criatura bizarra. De criatura bizarra à molestador de crianças. De molestador de crianças à completo endividado. De completo endividado à deus da música pop.
O processo de beatificação começou. Livre da burocracia religiosa os fãs já o elevaram ao panteão dos deuses da música, junto a gênios como Elvis e John. Se a igreja julga milagres o pop julga sucessos… e esse Michael certamente conheceu.
Apesar de sempre criticar essa beatificação dos mortos dessa vez irei me calar. Agora não se trata de ser certo ou errado. Se trata de ser justo. Depois de tudo que Michael nos deu acho que eu deva deixar meu cinismo um pouco de lado, esquecer um pouco minhas ideologias, me deixar levar pela correnteza. Que Michael seja lembrado por sua herança musical, talvez por ser o último rei do pop, e que suas esquisitices fiquem para trás, perdidas em um passado que mais parece roteiro de filme de Tim Burton que parte da história de Peter Pan.
Hipócritas que somos perdoaremos Michael. Hipócrita que sou perdoarei Michael. Descanse em paz, Jacko, quem sabe um dia nos encontremos no andar de cima. Ou não.
Fiquem com essa fantástica dica do Inagaki, uma versão de Thriller feita pelo francês François Macré, que recriou todos os detalhes do arranjo de “Thriller” com sua voz à capela.