
“O Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo está estudando tirar do ar a pequena notável“.Ok, eu concordo com a atitude e vou explicar o porque disso mais a frente. O que eu me pergunto é: porque só agora? Porque só a Maísa?

Pena e vergonha alheia, apenas isso...
Não faz muito tempo entrei numa discussão acirrada sobre até onde os pais tem o direito de impor uma vida estressante e desgastante para seus filhos. Até que ponto eles estão certos em fazer com que seus filhos realizem dezenas de atividades. Natação, Balé, Judô, Clube de Leitura, Inglês, Violão, Piano. Tem criança de 6 anos fazendo “pós-graduação de alfabetização” e “cursos de liderança infantil”.
Eden, você deve dizer, mas eles são pais e querem apenas o MELHOR para seus filhos, querem prepará-los para o futuro. Eu discordo de forma veemente. Ser pai não é possuir uma autorização de uso e propriedade de pequenos seres viventes. Não acho correto que os pais extirpem a infância de uma criança em nome de um pseudo-futuro. Acho, sinceramente, um verdadeiro crime impor a uma criança uma rotina estressante, cansativa e extenuante que ela só devia ter quando adulta. Estamos matando a infância de nossos filhos, forçando um amadurecimento prematuro. E estamos colhendo os frutos disso.
Forçar um filho a ter aulas de piano porque você acha lindo alguém que toca piano é um abuso. Forçar seu filho a estudar duas línguas porque ele vai precisar muito disso no futuro é um abuso. Forçar seu filho a fazer cursinho de biologia desde dos 13 anos porque ele irá fazer vestibular para medicina é um abuso e uma imbecilidade. Pais que estendem aos filhos suas frustrações não fazem crianças melhores, fazem adultos problemáticos.
Sempre me perguntei uma coisa: o ministério público proíbe o trabalho infantil, não é mesmo? E esses apresentadores infantis? E os pequenos atores e cantores, as pequenas celebridades e aquelas que – forçadas pelos pais – buscam os holofotes da mídia. Não é trabalho? Não é proibido?
Que diferença existe entre uma mãe que faz o filho pedir dinheiro no sinal e outra que faz com que a filha ensaie 6 horas por dias para se apresentar em Raul Gil no fim de semana? Que diferença existe entre a mãe que permite que o filho faça entregas para uma padaria da mãe da pequena Maisa? Eu respondo, aqui, ó, eu respondo!!!
Dinheiro. Apenas isso.
Será que foi preciso que a Maísa chorasse duas vezes em frente as câmeras para que percebessem que ela podia estar sendo “psicologicamente abusada”? Será que foi preciso isso acontecer para que percebessem que a imensa maioria das mini celebridades não apresentaram um futuro lá muito brilhante (tal como Macaulay Culkin, Michael Jackson, Simony ou Haley Joel Osment – que já foi apanhado com drogas). Hoje essa criança é o centro das atenções mas e amanhã, quando deixar de ser novidade, como ela receberá o anonimato?
Eu acho demasiadamente hipócrita essa linha de dois pesos e duas medidas praticada pelo ministério público quando se trata de “trabalho infantil”.
Mais que isso, eu acho que se trata de ABUSO infantil. Como é um absurdo impor a uma criança as limitações da religião dos pais (como o Cardoso brilhantemente apresentou neste post), obrigá-la a rotinas estafantes, traçar planos para ela de forma inflexível e tirânica. É mais assustador ainda quando alguém me pergunta se Filipe me dá muito trabalho sendo elétrico e diante da resposta, sempre positiva, completa: “Ah, você tem que fazer como eu. O meu faz tantas atividades que quando chega em casa deita e dorme”. Ah?!?! Eu não quero que meu filho chegue em casa, deite e durma! Eu quero que ele jogue Xbox360 comigo, que converse, que corra, que brinque, que exerça sua maior função como filho: trazer alegria para minha vida.
Não vou cansar minha criança para descansar. Não vou me realizar no meu filho. Não serei senhor da vida dele. Não irei roubar sua infância. Não serei outra coisa além de pai e amigo, afinal ele não nasceu para escravo, nem eu para feitor. Talvez eu nunca possa encher a boca para dizer que sou o pai da Maísa… mas me basta que Filipe um dia encha a boca para dizer que é filho de Eden.
Ser pai é uma imensa responsabilidade, é duro, é assustador. Mas, como pai que sou, digo, temos que ser sábios na hora de tomar uma atitude que julguemos “melhor para eles”, pois é muito, muito difícil ser imparcial nessa hora. Eu sigo aprendendo, tentando, errando e acertando mas, aqui entre nós, tenho o melhor indicador do mundo para me dizer se estou ou não no caminho certo: a felicidade dele.