Como emputecer um diretor de arte

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Ser um diretor de arte é, antes de tudo, um exercício de paciência. Aos que estão começando, aviso, vida de D.A. não é essa coisa cool e descolada que imaginam. Aos que são D.A., aviso, fudeu. Ser D.A. é trabalhar no que ama e por amar demais a profissão, mesmo reconhecendo milhares de defeitos, não conseguimos deixá-la.

Mas além do dia-a-dia louco, da busca constante por novas referências, técnicas e estilos, da urgência urgente e da falta de verba para produção existem algumas coisas que estressam um D.A.

Material bruto inadequado -- “Tá tudo aí nesse arquivo do word”
Esqueça o Office. Ele só serve para enviar TEXTOS, nada masi que isso. Poucas coisas nos tiram do sério como ser forçado a explicar, por diversas vezes por sinal, a um cliente que as fotos, marcas e afins que ele mandou inserido naquele arquivo do Word ou do Power Point nos servem tanto quanto um kit de Letraset. Não adianta. Eles mandam inserido em algum arquivo do Office e depois de muita insistência dizem que só tem daquele jeito e pronto. O melhor é quando você explica o tempo que vai perder redesenhando a marca e ouve um “Mas eu sempre usei assim, você tem certeza de que é isso mesmo?”.

Fontes -- “Eu gosto dessa letrinha aí, ó”
Duas coisas que você precisa saber sobre fontes para manter seu D.A. livre de uma crise de nervos. Primeiro achar de pedir a algum Zé Ruela para fazer sua marca lembre de solicitar que ele lhe envie ao menos o nome da fonte que usou. Ao menos isso. Como desejar que você tenha a marca em vetor as vezes é pedir demais ter o nome daquela fonte estranha já ajuda a reduzir o trabalho. A outra é: se você tem um D.A. de verdade trabalhando para você deixe que ELE escolha as fontes para usar no material. Ele conhece o trabalho suficientemente para saber que não deve usar Arial Black e Comic Sans. Entenda que se você encher demais o saco dele vai receber um material todo em Avantgarde -- e não, isso não é bom.

Observe que o D.A. sempre utilizará poucas fontes no trabalho. Quer mais fontes? Quer mostrar que seu material, assim como sua empresa, é versátil e trabalha bem o conceito de variedade? ESQUEÇA!

Uso do espaço -- “Eu tô pagando pela página toda, oras, quero ela cheia!”
Quando é que vão entender que não entupindo o espaço disponível que se vai valorizar o dinheiro gasto? Não, eu repito, NÃO, sua marca imensa não valoriza o anúncio!!!! O D.A. que nunca teve vontade de mandar um cliente as favas por ele insistir em colocar apenas mais 4 produtos naquele varejo ou dar mais destaque a marca, ou a chamada, ou ao telefone… não é um D.A. Quando vão entender que a máxima do “menos é mais” é uma das mais aplicáveis ao Design? Trabalhar bem os espaços vazios, o espaçamento entre letras, palavras e linhas, o posicionamento de cada item… é isso que um D.A. estuda! Ignore esse fato, exija a valorização do custo/cm e veja seu D.A. espumar como cachorro doente.

Logomarca -- “Eu só tenho ela em bitmap mesmo”
O pesadelo. Quando não mandam em um arquivo do Office enviam em bitmap. Não qualquer bitmap, não, pedir em jpg com 300dpi seria demais. Normalmente é um gif ou uma imagem retirada direto da HP da empresa. Perfeito. Tudo que um D.A. precisa e advinhar como sua marca seria em um tamanho maior e perder um BOM tempo refazendo-a.

Informações -- “Bem, vou dar minha opinião…”
Que mania imbecil essa que as pessoas tem de solicitar um JOB sem ao menos se preocupar em passar as informações pertinentes para que o mesmo fique de seu agrado. Aí, depois de pronto, claro, vem com aquelas sacadas genias do tipo “Ah, não é bem assim que queria, queria algo mais WEB 2.o, sabe?” ou “Falta alguma coisa, um tcham, mas não sei bem o que é…”. Confie. Apenas isso. Confie no seu D.A. Se você o orientou corretamente de ínicio as possibilidades dele ter escolhido a melhor referência na hora de criar seu material são MUITO grandes. Pare de tentar mudar todo o trabalho dele. D.A.s não são garçons e não podem cuspir no seu prato antes de servir para aliviar a raiva mas certamente darão um jeito de lhe dar o troco.

Olha que interessante quando colocamos o logo da OGC na vertical. Isso, amigos, é uma cuspida de D.A.

Olha que interessante quando colocamos o logo da OGC na vertical. Isso, amigos, é uma cuspida de D.A.

Pequenas mudanças -- “Eita, lembrei agora…”
No último minuto da última hora do dead line aparece aquela “pequena mudança”. Como você pode achar pequeno o fato de inserir um produto em destaque, mais uma página de texto ou aquelas fotos horríveis da empresa? Lá se vai o planejamento, lá se vai a diagramação, lá se vai a paciência. O cliente espera que nós planejemos bem nossos prazos e horários, o mínimo que poderiamos esperar era que eles fizessem o mesmo com o conteúdo.

Referência errada -- “Olha, adoro esse material aqui que meu primo fez, quero exatamente assim”
Você não é D.A. Seus critérios certamente estão um pouco distantes dos necessários para IMPOR referências. Mostre o que curte, o que admira, e deixe que o D.A. decida se aquilo se enquadra nos diversos fatores que determinam o uso de um estilo numa arte. Nós analisamos se o estilo utilizado se enquadra na linha de comunicação da empresa, se condiz com a mensagem, se é bem direcionado ao público alvo e até mesmo se ficará bom no veículo escolhido. Tudo é analisado. TUDO. Aí vem você com um folder de duas dobras, formato padrão, com fotos toscas e diagramação de programas do tipo “Faça seu folder” e cheio de imagens de clipart… e quer igual.

Imposição de material -- “Meus sobrinhos tem que aparecer…”
Meu Deus… o HORROR! Se não passou por isso, amigo D.A., reze para nunca, nunca passar. A não ser que você seja um cara muito escroto sempre é difícil explicar para um cliente que seus parentes são feios (filha, filho, esposa, sobrinho, sobrinha, etc..) e que não vão ficar bem no material que está sendo produzido. O resultado, bem, esses todo mundo conhece.. o HORROR!

Fornecedor errado -- “Pode deixar a produção comigo que vai rolar na empresa de um amigão…”
Deixa eu perguntar uma coisa: você fazia troca-troca com esse amigão quando menores? Não? Porque essa é a chance perfeita dele lhe foder. Temos um trabalho danado de acertar cores, fazer recortes perfeitos, calibrar imagens para ver tudo detonado numa gráfica sem vergonha. O pior nem é isso, o pior é depois que o material ficar uma merda ver o “amigão” botando a culpa na gente. “O material ficou assim porque a arte veio toda errada…”, o infeliz se defende e você, caro ingênuo, muitas vezes compra e sai no pau com quem se dedicou de verdade ao seu trabalho. Quer fazer com um amigo? Peça ao D.A. para analisar a qualidade de alguns trabalhos deles, para ao menos conversar com o pessoal ao telefone, mas não passe por cima das indicações de quem realmente quer ver o material fudendo de tão bom.

Pois é, caro D.A., se você vem passando por isso a algum tempo eu tenho uma solução, assista abaixo. E você, cliente de D.A., devia prestar muita atenção no vídeo abaixo.

Uma bostaDá pra passarÉ... bonzinho atéTaí, desse eu gostei!Bom BAGARAI! (Ninguém votou ainda)
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6 comentários to “Como emputecer um diretor de arte”

  1. MarcoDeDé disse:

    hehehhee

    show de bola esse texto Eden, aquele do familiar me lembrou um caso escroto….mas deixa pra lá hehehe

  2. Quanto mais eu leio “Um passinho a frente” mais eu penso em largar a faculdade… *medo*

    aehuehaueahuehauhae xD

  3. Nossa, história da minha vida, Eden, e olha que eu nem sou diretor de arte…

    Rapidinha: Tava fazendo o projeto gráfico e a diagramação de um anuário de feiras agropecuárias pelo país (já começou daí…), e até a última semana do prazo ainda não haviam enviado a imagem pra capa (uma foto que o cliente queria). Depois da quadragésima ligação pre pedir POR FAVOR PRA MANDAR A IMAGEM DA CAPA OU NÃO VAI TER CAPA, mandaram. Em 72 dpi, claro. E minúscula. Daí vai o peão aqui explicar que precisa da imagem com uma boa resolução, para impressão. Mandam a imagem de novo. ENORME (milhares de cms de largura por milhares de cms de altura). Em 72 dpi de resolução. Tipos, pegaram e deram um scale no Photoshop e mandaram a merda da imagem. Quase usei, só de raiva…rs

    J.

    P.S.: Vou voltar àquela discussão do Doritos, só preciso de tempo pra escrever um post decente.

  4. Eden disse:

    Ah, James, bem vindo ao time dos que sofrem com clientes tacanhos.

    Algumas semanas atrás estava preparando um material que envolvia uma grande rede. A solicitação do cliente local foi que criasse algo diferente, mais a cara da operação local – já que o padrão nacional de comunicação era meio engessado, cansado e, sendo delicado, feio bagarai.

    Material pronto me pediram para enviar para o depto de marketing nacional para aprovação. Porra – pensei eu – claro que os caras vão por terra, está completamente fora do padrão. O que aconteceu? Bingo. Tem que ficar mais parecido com o padrão. Depois de muita discussão – e olhe que sou muito melhor defendendo o que crio do que efetivamente criando – convenci de que podia chegar a um consenso usando alguns elementos padrões da identidade nacional em uma arte bem mais regional. Aceitaram. Resolvido? Nops…

    Me mandaram os elementos padrões em um arquivo que ao todo tinha 900 x 900 px. Detalhe, em jpg com compressão máxima. Não servia pra nada, claro, nem para desenhar por cima, acredite. Depois de dias implorando pelo material com maior qualidade recebi um e-mail que dizia.

    “Caro Eden, infelizmente esse arquivo que lhe enviei é o único que tenho. Esses elementos em vetor – como você chamou – ou com melhor resolução teriam que ser solicitados a nossa agência de propaganda para serem refeitos e isso custaria um dinheiro que não podemos dispor. Espero que consiga resolver com o que tem em mãos. Boa sorte”

    Claro que o mamão aqui não ia perder mais tempo com isso e correr o risco de perder o serviço, Fim da história? Redesenhei cada elemento com base em pesquisas na WEB.

    Cliente satisfeito? Sim. D.A. satisfeito? Nunca. O que cobrei pelo serviço não pagaria o trabalho que tive para redesenhar todos os elementos.

    O que não fazemos por um cliente quando vemos possibilidades futuras… e quando estamos lisos?

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